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segunda-feira, 2 de novembro de 2015


                                         ATIVIDADE DE LEITURA - CRÔNICA
                                                     SEMANA 04: 03/11 A 09/11/2015

15 comentários:

  1. Conversa entre pai e filho, por volta do ano de 2031 sobre como as mulheres dominaram o mundo.
    - Foi assim que tudo aconteceu, meu filho...
    Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião. Parecia brincadeira.
    Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, Empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo.
    - E aí, papai?
    - Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela. Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais. "Oi querida!", por exemplo, era a senha que identificava as líderes. "Celulite", eram as células que formavam a organização. Quando queriam se referir aos maridos, diziam "O regime".
    - E vocês? Não perceberam nada?
    - Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior:
    Continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem.
    - Aí, veio o golpe mundial?!?
    - Sim o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa. Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado. Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente...
    - Como era mesmo o nome dele?
    - William, acho. Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe, filho, já faz tanto tempo...
    - Tudo bem, papai. Não tem importância. Continue...
    - Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa. Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta. Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora... Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora. Depois trocou o nome, de Madonna para Mandona...
    - Pai, conta mais...
    - Bem filho... O resto você já sabe.
    Instituíram o Robô "Troca-Pneu" como equipamento obrigatório de todos os carros...
    A Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho...
    E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês...
    - TPM???
    - Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... E quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear...
    - Sinto um frio na barriga só de pensar, pai...
    - Sssshhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas...

    Luis Fernando Verissimo
    LuanaPiovesan

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    1. Gosto desse tipo de crônica porque ele aborda fatos engraçados, ele aborda uma conversa entre pai e filho sobre as mulheres que dominaram o mundo,sendo então engraçada. Na minha opnião esse tipo de crônica é mais valorizada engraçada,divertida e humorística
      Por isso escolhi esse tipo de crônica humorística.
      LuanaPiovesan Bjs prof Simone.

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  2. Como os Ponteiros de Salvador Dalí.

    Que horas são? Quantas horas? Tanto faz…

    Quanta dor cabe no peito?

    Quanto rancor ou dissabor, desamor, quanto amor um amargor cala? Palavras, falas engasgadas não ditas, malas jamais desfeitas, louças na pia, poeira sobre a mesa, sujeira, solidão, imensidão, prisão… É vazio, é incerteza, é ausência de si mesmo. Não mais que um querer a esmo. Apenas outro desfechar sem começo onde não há erro em aventurar-se, desde que saiba o peso do preço!

    No quarto, no chão, o velho colchão, a garrafa de Smirnoff, assistindo-se nos playoffs da vida, sem deslumbrar saída, em off… Roupas, trapos, farpas, bitucas de cigarro, um maço de Eight, de “Corótinho” a Orloff, sem amparo, não tão raro, mais um trago, fotos, retratos, parede, sede por afago, móveis quebrados, o espelho, são pratos, copos, cama…

    Um porre de vinho, Chapinha, São Tomé, Chalise, um dos mais baratos, uma fuga. Na sala, a televisão, o banco de madeira, o tapete colorido, o antigo rak branco e o Gradiente anos 90, bola mais um fino, estica mais um pino, pensa: – “Quem sabe música para “desbaratinar”, sei lá!”. Brown, Wonder, Armstrong, Arlindo Cruz, Fundo de Quintal… Mas, sem cassete, o toca discos parado, sem vinil, tanto faz, vitrola quebrada, janela quebrada, o silêncio na quebrada e a calada rua. Toma mais uma dose. Efeito? Psicológico, narcótico, overdose… Outra amarga dose de teor alcoólico, daquelas que “apaga” a depressão, mas larga no mangue, como caranguejo, no barro. Baseado em fatos, acende, prende… Acalma! Olha para o relógio. Mas, os ponteiros em slowmotion estão parados como os de Salvador Dalí.

    Frio, cão no canil! É quando implora por um olhar de amparo, chora lágrimas de vinho entre cigarros e bitucas, é quando a grana vai e se esvai na insana noite, é quando se esvai e vai a dama da sua cama.

    E quantos? Quantos findaram-se assim? Amy Winehouse, Chorão, Chaplin…

    …A vida nos playoffs aos 10 segundos do fim!

    Gosto desse tipo de crônica por que ele relata coisas imaginadas mas,que pode nos acontecer a qualquer hora.

    Denian

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  3. Crônica Poética

    Soneto do amigo

    Enfim, depois de tanto erro passado
    Tantas retaliações, tanto perigo
    Eis que ressurge noutro o velho amigo
    Nunca perdido, sempre reencontrado.

    É bom sentá-lo novamente ao lado
    Com olhos que contêm o olhar antigo
    Sempre comigo um pouco atribulado
    E como sempre singular comigo.

    Um bicho igual a mim, simples e humano
    Sabendo se mover e comover
    E a disfarçar com o meu próprio engano.

    O amigo: um ser que a vida não explica
    Que só se vai ao ver outro nascer
    E o espelho de minha alma multiplica...
    Vinicius de Moraes
    http://pensador.uol.com.br/cronica_de_vinicius_de_moraes/
    O amigo e pra vida toda, mas quando o amigo vai embora o outros amigos aparecem. Quando o velho amigo aparece é como se a amizade renascesse.
    Mateus de Aguiar Tavares.

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  4. Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar:
    Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas.
    Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP.
    Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta.
    Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha.
    Nós sempre andamos de mãos dadas...
    Se eu soltar, ela vai às compras!
    Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico.
    Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar".
    Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.
    Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a "senhora certa".
    Só não sabia que o primeiro nome dela era "sempre".
    Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
    Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha.
    Ela perguntou: "O que tem na TV?"
    E eu disse: "Poeira".
    Luis Fernando Veríssimo

    comentário de Cassiano
    Escolhi uma crônica humorística bem divertida ela traz um bem estar, lendo esta crônica posso perceber como é bom ler esse tipo de crônica.

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  5. Tudo vai melhorar! Cronicas Pequenas e Engraçadas

    Numa feira de agropecuária, um fazendeiro do Mato Grosso do Sul encontrou-se com um Fazendeiro do estado do Tocantins:
    O Fazendeiro do Mato Grosso do Sul perguntou:
    - Cumpadre! Se o senhor não se importa deu perguntar, Qual é o tamanho da sua fazenda?
    O Fazendeiro do Tocantins respondeu:
    - Oía cumpadre! Acho que deve di dar aí uns quatrocentos hectare é piquinina! E a sua?
    Como o fazendeiro do Mato Grosso do Sul era daquele tipo meio arrogante e cheio de mania de grandeza ele foi logo esnobando o outro fazendeiro dizendo:
    - Cumpadre! O senhor sabe que eu nunca me interessei de contá eu só sei que eu saio de manhã bem cedinho e quando é meio dia eu ainda nem cheguei na metade da propriedade. Respondeu o fazendeiro do Mato Grosso.
    O fazendeiro do Tocantins, comovido, deu uns tapinhas nas costas do fazendeiro do Mato Grosso e disse:
    - Eu sei cumpadre!...Eu sei! No começo eu também andava de carroça...Squenta não!...Guenta firme cumpadre! Tenho certeza que tudo vai melhorar!

    Edilson Rodrigues Silva


    Escolhi esta crônica porque mostra um pouco de fazenda e porque a linguagem engraçada.Josuel.

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  6. A bola.

    O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar sua primeira bola do pai. U número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola. O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse “legal” Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, á procura de alguma coisa.
    - Como é que liga?_ Perguntou.
    - Como, como é que liga? Não se liga.
    O garoto procurou dentro do papel de embrulho.
    - Não tem manual de instrução?
    O pai começou a desanimar e pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.
    - Não precisa manual de instrução.
    - O que é que ela faz?
    - Ela não faz nada, você é que faz coisas com ela.
    - O quê? - Controla, chuta...
    - Ah, então é uma bola.
    Uma bola, bola. Uma bola mesmo. Você pensou que fosse o quê?
    - Nada, não.
    O garoto agradeceu, disse “legal” de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da TV, com a bola do seu lado, manejando os controles do vídeo game. Algo chamado Monster Ball, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de Blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio. Estava ganhando da máquina.
    O pai pegou a bola nova e ensinou algumas embaixadinhas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.
    - Filho, olha.
    O garoto disse “legal”, mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e o cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro do couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês pra garotada se interessar.
    Veríssimo, Luis Fernando. A bola. Comédias da vida privada; edição especial para as escolas. Porto Alegre: L&PM, 1996. P. 96-7.

    Eu escolhi essa Crônica,por que fala de uma crônica de humor e eu adoro humor.
    Eduarda Signor.

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  7. O LOUCO-POR VELHO MARUJO
    Deus! Conserve-me assim, imprevisível. Peço-lhe, meu Pai, que possas permitir que viva sempre como um desvairado, que enxerguem-me como um louco, que pretendam queimar-me na fogueira da incompreensão, e façam votos de perseguirem-me por todo o tempo enquanto insistir em respirar.
    Insanamente, suplico pela a masmorra! Que os “normais” clamem e reivindiquem os restos mortais de meu corpo como prova física do sacrifício. Que meus pedaços, espalhados pelas vias públicas do preconceito, exemplifiquem o crepúsculo intenso reservado a todos que comentem as mesmas mazelas que cometi. Não peço-lhe que sejam piedosos comigo, mas desejo o fogo, a espada, o medo, o perigo. E quando no topo do monte, olhar meus ditos amigos, a virarem suas faces como sinal de vergonha, e presenciar parentes a resmungarem protestos, por ter sujado o sobrenome da família, ao receber o escarro em meu rosto, daqueles que prometiam aliança incondicional e eterna. Neste dia, serei o doido mais varrido que existiu, entretanto, o homem mais feliz que a fútil sociedade jamais deslumbrou existir.
    – Vamos, vermes invejosos e traidores, queimem-me! Apaguem da história meus vestígios, arquivem meus escritos, tranque-os em baús, afunde-os no profundo mar, limpem da mente dos que leram minhas subversões a memória da minha existência, que todos esqueçam, que todos subestimem, que todos estimem e torçam pelo colapso da minha psique. Vão! Façam o que lhes é devido, cumpram sua missão, matem-me! Evitem que outros tantos se subvertam, e se corrompam com as palavras do “bruxo”. Mas, saibam que a fogueira jamais queimará meu intelecto, continuarei psicologicamente vivo nas lembranças de meus seguidores. Pois, mata-se o corpo. Permanece as idéias!


    Comentário:Eu gostei dessa crônica por que conta de um homem que queria que ele fosse visto pelos outros como um louco,que ele queria que os normais clamassem seus restos mortais como prova de seu sacrifício.

    EDUARDO DE OLIVEIRA.

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  8. A brincadeira
    Começou como uma brincadeira. Telefonou para um conhecido e disse: - Eu sei de tudo. Depois de um silêncio, o outro disse: - Como é que você soube? - Não interessa. Sei de tudo:
    - Me faz um favor. Não espalha. - Vou pensar.
    - Por amor de Deus. - Está bem. Mas olhe lá, hein? Descobriu que tinha poder sobre as pessoas.
    - Sei de tudo. - Co- como? - Sei de tudo. - Tudo o quê? - Você sabe. - Mas é impossível. Como é que você descobriu? A reação das pessoas variava. Algumas perguntavam em seguida:
    - Alguém mais sabe? Outras se tornavam agressivas:
    - Está bem, você sabe. E daí? - Daí nada. Só queria que você soubesse que eu sei.
    - Se você contar para alguém, eu...
    - Depende de você. - De mim, como?
    - Se você andar na linha, eu não conto.
    - Certo. Uma vez, parecia ter encontrado um inocente.
    - Eu sei de tudo.
    - Tudo o quê? - Você sabe. - Não sei. O que é que você sabe?
    - Não se faz de inocente.
    - Mas eu realmente não sei.
    - Vem com essa. - Você não sabe de nada.
    - Ah, quer dizer que existe alguma coisa pra saber, mas eu é que não sei o que é?
    - Não existe nada.
    - Olha que eu vou espalhar... - Pode espalhar que é mentira. - Como é que você sabe o que eu vou espalhar? - Qualquer coisa que você espalhar será mentira. - Está bem. Vou espalhar. Mas dali a pouco veio um telefonema. - Escute. Estive pensando melhor. Não espalha nada sobre nada daquilo. - Aquilo o quê? - Você sabe. Passou a ser temido e respeitado. Volta e meia alguém se aproximava dele e sussurrava:
    - Você contou para alguém? - Ainda não. - Puxa. Obrigado. Com o tempo, ganhou uma reputação. Era de confiança. Um dia, foi procurado por um amigo com uma oferta de emprego. O salário era enorme.
    - Por que eu? – quis saber. - A posição é de muita responsabilidade
    – disse o amigo.
    – Recomendei você. - Por quê?
    - Pela sua descrição. Subiu na vida. Dele se dizia que sabia tudo sobre todos, mas nunca abria a boca para falar de ninguém. Além de bem-informado, um gentleman. Até que recebeu um telefonema. Uma voz misteriosa que disse: - Sei de tudo. - Co- como? - Sei de tudo. - Tudo o quê?
    - Você sabe. Resolveu desaparecer. Mudou-se de cidade. Os amigos estranharam o seu desaparecimento repentino. Investigara. O que ele estaria tramando? Finalmente foi descoberto numa praia remota. Os vizinhos contam que a voz que uma noite vieram muitos carros e cercaram a casa. Várias pessoas entraram na casa. Ouviram-se gritos. Os vizinhos contam que mais se ouvia era a dele, gritando: - Era brincadeira! Era brincadeira! Foi descoberto de manhã, assassinado. O crime nunca foi desvendado. Mas as pessoas que o conheciam não têm dúvidas sobre o motivo. Sabia demais. (Luis Fernando Veríssimo. Comédias da vida privada. Porto Alegre: L&PM, 1995. P. 189-91.)
    Gostei dessa crônica por que é legal e agente se influencia lendo Ramon

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  9. Palhaços Também Choram (Reescrito)

    Apagaram-se as luzes. O sol curva-se a lua dando espaço aos luminares. O palco que dantes aspirava e inspirava risos insolitamente engolfa no alarmante silêncio. A tenda grandiosa criada para doar alegria, subitamente se esfria no crepúsculo, ao findar de outro dia, quando aplausos, sensações, humor e crianças dormem, é quando o artista rompe a alvorada, isolado no obscuro.
    O raiar acarreta outro amargor. Ser o personagem, o mágico, a felicidade. A aflição de reinventar um Eu a cada novo espetáculo e de sucumbir após o encerramento, diante das cortinas que indicam o término da hilária e solitária dramaturgia.
    É no exílio. Perdoe-me! No camarote. Que as manchas surgem. O borrão, a tinta, a máscara, o artista se purga em lágrimas e o espelho parece ofender, dizer, falar… Ofender, dizer, falar! Seu único desejo é tal liberdade, a simples humanidade de poder brigar, falar mal, gritar, gritar! Exausto dessa solidão mundana, reza estar sozinho de si mesmo, libertar-se do personagem, desprender-se, esvaziar-se, GRITAR, GRITAR!
    Ah! Quão traumático é sorrir quando se precisa chorar, divertir quando se quer prantear, abraçar quando não mais goza o prazer de amar.
    Contudo, amanhã as chamas do picadeiro serão ateadas novamente, todos virão de todos os quantos e assistirão ao espetáculo do artista. Cabe ao itinerante vestir o surrado “uniforme” colorido, a peruca, o nariz, o sapato… E pintar o rosto de branco, vermelho, palhaço… Fantasiar que a noite foi um surto, um acaso, uma alucinação, que não sente dor dos artistas de ao invés de viver… Interpretar

    Comentário-Eu gostei dessa crônica por causa que de um palha;o que estava triste porque seu circo não tinha mais pessoas nas arquibancada as luzes se apagaram e nos olhos do artista caíram lagrimas de choro. Leonardo

    Crônica lírica.

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  10. O melhor amigo
    A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio

    ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a distância. Como a mãe não se voltasse
    Para vê-lo, deu uma corridinha em direção de seu quarto.
    – Meu filho? – gritou ela.
    – O que é – respondeu, com o ar mais natural que lhe foi possível.
    – Que é que você está carregando aí?
    Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça? Sentindo-se perdido,tentou ainda ganhar tempo.
    – Eu? Nada…
    – Está sim. Você entrou carregando uma coisa.
    Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar – o jeito era procurar comovê-la.Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:
    – Olha aí, mamãe: é um filhote…
    Seus olhos súplices aguardavam a decisão.
    – Um filhote? Onde é que você arranjou isso?
    – Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?
    Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote de isso. Insistiu ainda:
    – Deve estar com fome, olha só a carinha que ele faz.
    – Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!
    – Ah, mamãe… – já compondo uma cara de choro.
    – Tem dez minutos para botar esse bicho na rua. Já disse que não quero animais aqui em casa. Tanta coisa para cuidar, Deus me livre de ainda inventar uma amolação dessas.
    O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia lágrima. Voltou para o quarto, emburrado:
    A gente também não tem nenhum direito nesta casa – pensava. Um dia ainda faço um estrago louco. Meu único amigo, enxotado desta maneira!
    – Que diabo também, nesta casa tudo é proibido! – gritou, lá do quarto, e ficou
    esperando a reação da mãe.
    – Dez minutos – repetiu ela, com firmeza.
    – Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.
    – Você não é todo mundo.
    – Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não
    faço mais nada.
    – Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com a sua costura.
    – A senhora é ruim mesmo, não tem coração!
    – Sua alma, sua palma.
    Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: tinha dez minutos para brincar com seu novo amigo, e depois… ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável:
    – Vamos, chega! Leva esse cachorro embora.
    – Ah, mamãe, deixa! – choramingou ainda: – Meu melhor amigo, não tenho mais
    ninguém nesta vida.
    – E eu? Que bobagem é essa, você não tem sua mãe?
    – Mãe e cachorro não é a mesma coisa.
    – Deixa de conversa: obedece sua mãe.
    Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa
    – Pronto, mamãe!
    E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros.
    – Eu devia ter pedido cinqüenta, tenho certeza que ele dava murmurou, pensativo.

    Fernando Sabino

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  11. Sr.Google Pacheco

    Quando chegavam ao escritório pela manhã, o senhor Google Pacheco sempre estava lá. Sentado a sua mesa ou correndo de um lado para outro, mantinha-se no seu memorável ritmo agitado, produção beirando o frenesi. Os funcionários o admiravam. Era sempre o primeiro a chegar e o último a sair (embora ninguém tenha testemunhado qualquer um destes acontecimentos).
    – Acho que ele dorme no escritório – alguns arriscavam.
    Outros já apelavam pro exagero:
    – Dizem que ele nunca dorme.
    Sr. Google Pacheco. O chefe do departamento de marketing. Baixo e gordinho. Feição inocente, quase boba. Chamava a atenção pelas roupas, sempre de cores vívidas, cintilantes. Geralmente, boné azul, camiseta vermelha, calças amarelas e tênis verde. Às vezes, invertia as cores, mas nunca as abandonava. Roupas estranhas para um homem de nome estranho. A personagem perfeita para textos humorísticos.
    Quando era novo na empresa, ainda apenas um singelo desconhecido, causava confusão com seu nome. Liam o crachá e diziam:
    – Bom dia, sr. Gógle.
    Ele corrigia, sempre sorridente e simpático.
    – Não, não. Pronuncia-se Gúgou.
    – Gúgou?
    – É a centésima potência do número 10.
    – Uau.
    Senhor Google Pacheco
    Até o nome carregava seu estigma de gênio absoluto. O Sr. Google era uma enciclopédia ambulante. Parecia ser senhor de todo o conhecimento. Portador de solução para os mais variados problemas na ponta da língua. Para cada desafio proposto no dia a dia da empresa, vertia um turbilhão de soluções precisas e automáticas.
    Com sua eficiência derramada a cada suspiro, de auxiliar no departamento de marketing chegou à chefia em poucos meses. Com o passar dos dias e semanas, a experiência acumulando-se nas veias, parecia saber o que as pessoas queriam antes de terminarem de falar.
    – Seu Google, o senhor sabe que horas…?
    – … será a reunião do conselho?
    – Isso. Isso mesmo.
    – 16 horas.
    Era um gênio. Disposição tamanha, não demorou muito e começaram a abordar assuntos mais pessoais.
    – Sr. Google, preciso de sua ajuda. Como faço para con…
    – Conquistar sua melhor amiga?
    – Uau. Como o senhor sabe?
    E derramava soluções. Como se não bastasse a prontidão, começou a oferecer várias opções.
    – Sr. Google, chocolate dá…?
    – Espinha? Celulite? Cólica no bebê?
    – Éééé…
    – Sono? Dor de cabeça? Azia?
    – Eu…
    – Enxaqueca? Energia? Gases?
    – Isso – disse, ruborizada. – Gases.
    – Ahá. Você está com sorte, menina!

    continua...
    Henrique Adam Librelotto

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    1. Até o poderoso e inacessível dono da empresa, cuja agenda diária se resumia a constantes viagens de negócio pela Europa, começou a passar mais tempo no Brasil. E quase todos os dias, ia na empresa. Mas nem entrava em sua sala. Já ia direto para a sala do senhor Google. Os curiosos e fofoqueiros discutiam o teor das conversas atrás daquelas portas. Uns diziam que falavam apenas sobre bolsa de valores. Acontecimentos mundiais, tendências econômicas, essas coisas. Outros achavam que a conversa só passeava pela arena dos assuntos pessoais.
      Independentemente do conteúdo destes encontros a portas fechadas, a empresa só crescia. E os funcionários eram unânimes em admitir: depois da chegada do Sr. Google, a vida de todos eles se tornou mais completa e intensa.
      Certo dia, o Sr. Google não apareceu para trabalhar. A princípio, pairou uma tensão camuflada no ar. A medida que as horas foram passando, e o Sr. Google não aparecia, fez-se um clima de desespero. Começaram a ligar para o seu celular, mas dava como número inexistente. Alguém tem o telefone da casa dele? O resultado foi o mesmo: número inexistente. Onde ele morava mesmo? Ninguém sabia. O desespero instalou-se no prédio. Ninguém conseguia fazer nada. Ficavam andando de um lado para outro, perdidos. Nem a dona Gertrudes conseguiu fazer o café.
      Durante dias, ninguém trabalhou. Dúvidas sobre o andamento da empresa – diziam que ações da empresa estavam tendo quedas vertiginosas. Os funcionários sentiam-se curvados ante o peso dos problemas pessoais que não conseguiam resolver sem a ajuda e os conselhos do Sr. Google.
      Duas semanas depois, e metade deles não maisAté o poderoso e inacessível dono da empresa, cuja agenda diária se resumia a constantes viagens de negócio pela Europa, começou a passar mais tempo no Brasil. E quase todos os dias, ia na empresa. Mas nem entrava em sua sala. Já ia direto para a sala do senhor Google. Os curiosos e fofoqueiros discutiam o teor das conversas atrás daquelas portas. Uns diziam que falavam apenas sobre bolsa de valores. Acontecimentos mundiais, tendências econômicas, essas coisas. Outros achavam que a conversa só passeava pela arena dos assuntos pessoais.
      Independentemente do conteúdo destes encontros a portas fechadas, a empresa só crescia. E os funcionários eram unânimes em admitir: depois da chegada do Sr. Google, a vida de todos eles se tornou mais completa e intensa.
      Certo dia, o Sr. Google não apareceu para trabalhar. A princípio, pairou uma tensão camuflada no ar. A medida que as horas foram passando, e o Sr. Google não aparecia, fez-se um clima de desespero. Começaram a ligar para o seu celular, mas dava como número inexistente. Alguém tem o telefone da casa dele? O resultado foi o mesmo: número inexistente. Onde ele morava mesmo? Ninguém sabia. O desespero instalou-se no prédio. Ninguém conseguia fazer nada. Ficavam andando de um lado para outro, perdidos. Nem a dona Gertrudes conseguiu fazer o café.
      Durante dias, ninguém trabalhou. Dúvidas sobre o andamento da empresa – diziam que ações da empresa estavam tendo quedas vertiginosas. O aparecia na empresa. Dois ou três mergulharam de cabeça no alcoolismo. Outro se jogou da ponte. E o poderoso dono da empresa, quem diria, foi flagrado diversas vezes em prantos, cambaleando pelos corredores fantasmagóricos e mal-iluminados da empresa que veio à falência, dias depois.
      Quanto ao sr. Google, nunca mais foi visto. Dizem por aí que montou um site e ficou milionário. Mas comprovar mesmo, ninguém nunca comprovou.
      Escritor desconhecido

      COMENTÁRIO:Escolhi está crônica, porque gosto de humor e também porque gosto de crônicas que tem bastante diálogo pois parece que a crônica fica mais interessante e mais ''viva''.

      ASS:Henrique Adam Librelotto

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  12. O Boletim Escolar - Crônicas Engraçadas e Textos Engraçados

    Uma garota tinha que entregar o boletim escolar dela para os seus pais e, as notas ali, não eram as notas do sonho de nenhuma mãe muito menos de nenhum pai. Ela usou a criatividade para contar essa maravilhosa notícia.
    Oi papai! Oi mamãe!
    É com o coração partido, mas muito feliz da vida. Que eu digo para vocês que eu saí fora com o Dudu, ele é o homem da minha vida. Ele é tudo de bom.
    Estou absolutamente fascinada com as suas tatuagens, com aquele cabelo moicano, com aqueles ferros e piercings que ele coloca naquele corpinho maravilhoso. Entretanto. Tenho que lhes contar que não é só isso. O Douglas, aquele menino que vocês não gostam dele de jeito nenhum, ele está com a gente.
    Portanto não se preocupem comigo. Já tenho 15 anos e sei muito bem me virar sozinha tá.
    Com amor e carinho da sua querida filhinha.
    Ah! Pai, mãe, isso é só uma brincadeirinha viu! Estou na casa da Mariana, só queria mostrar para vocês que há coisas bem piores na vida que estas notas que estão aí no boletim. Não se estressem Ok!. No ano que vem eu me recupero. Beijinhos!

    Resposta dos pais:

    Querida filhinha,
    Quando a sua mãe leu a sua carinhosa cartinha, ela passou muito mal e foi parar no pronto socorro. Imediatamente você foi retirada do nosso testamento e sua parte da herançaserá do seu irmão. Todas as coisas do seu quarto foram doadas para o pessoal do orfanato, cancelamos o seu celular e o seu cartão de crédito. Todos os seus Cd’s do NX0, do Justin Bieber, do Restart, do Cine, do Jonas Brothers, do Fiuk e do Luan Santana nós doamos para a Karina do segundo andar, aquela mesma garota que você acha insuportável. Lembra, ela é aquela garota super legal que no ano passado roubou o Rafinha, aquele seu namorado gatinho que até hoje você não esquece. Pode ir arrumando um bom emprego porque dinheiro daqui de casa nem em sonho viu.

    Enfim, espero que você seja muito feliz na sua nova vida.
    Nota! Filha querida, claro que tudo isso não passa de uma brincadeirinha da nossa parte. A sua mãe está aqui comigo assistindo Eu a Patroa e as Crianças e tudo está bem.
    Só queríamos lhe mostrar que há coisa bem piores do que passar as próximas cinco semanas sem sair de casa, sem celular, sem Internet, sem vídeo game, sem televisão e, principalmente, sem ir à casa da camila. Tudo isso por causa dessas notas ridículas e, dessa brincadeira idiota que você fez com agente.

    Edilson Rodrigues Silva

    Comentário:
    Que a filha foi faze uma brincadeirinha com os pais e acabou se dando mal.

    ass:Breno

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  13. O melhor amigo

    A mãe estava na sala, costurando. O menino abriu a porta da rua, meio
    ressabiado, arriscou um passo para dentro e mediu cautelosamente a distância. Como a mãe não se voltasse
    Para vê-lo, deu uma corridinha em direção de seu quarto.
    – Meu filho? – gritou ela.
    – O que é – respondeu, com o ar mais natural que lhe foi possível.
    – Que é que você está carregando aí?
    Como podia ter visto alguma coisa, se nem levantara a cabeça? Sentindo-se perdido,tentou ainda ganhar tempo.
    – Eu? Nada…
    – Está sim. Você entrou carregando uma coisa.
    Pronto: estava descoberto. Não adiantava negar – o jeito era procurar comovê-la.Veio caminhando desconsolado até a sala, mostrou à mãe o que estava carregando:
    – Olha aí, mamãe: é um filhote…
    Seus olhos súplices aguardavam a decisão.
    – Um filhote? Onde é que você arranjou isso?
    – Achei na rua. Tão bonitinho, não é, mamãe?
    Sabia que não adiantava: ela já chamava o filhote de isso. Insistiu ainda:
    – Deve estar com fome, olha só a carinha que ele faz.
    – Trate de levar embora esse cachorro agora mesmo!
    – Ah, mamãe… – já compondo uma cara de choro.
    – Tem dez minutos para botar esse bicho na rua. Já disse que não quero animais aqui em casa. Tanta coisa para cuidar, Deus me livre de ainda inventar uma amolação dessas.
    O menino tentou enxugar uma lágrima, não havia lágrima. Voltou para o quarto, emburrado:
    A gente também não tem nenhum direito nesta casa – pensava. Um dia ainda faço um estrago louco. Meu único amigo, enxotado desta maneira!
    – Que diabo também, nesta casa tudo é proibido! – gritou, lá do quarto, e ficou
    esperando a reação da mãe.
    – Dez minutos – repetiu ela, com firmeza.
    – Todo mundo tem cachorro, só eu que não tenho.
    – Você não é todo mundo.
    – Também, de hoje em diante eu não estudo mais, não vou mais ao colégio, não
    faço mais nada.
    – Veremos – limitou-se a mãe, de novo distraída com a sua costura.
    – A senhora é ruim mesmo, não tem coração!
    – Sua alma, sua palma.
    Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: tinha dez minutos para brincar com seu novo amigo, e depois… ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável:
    – Vamos, chega! Leva esse cachorro embora.
    – Ah, mamãe, deixa! – choramingou ainda: – Meu melhor amigo, não tenho mais
    ninguém nesta vida.
    – E eu? Que bobagem é essa, você não tem sua mãe?
    – Mãe e cachorro não é a mesma coisa.
    – Deixa de conversa: obedece sua mãe.
    Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa
    – Pronto, mamãe!
    E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros.
    – Eu devia ter pedido cinqüenta, tenho certeza que ele dava murmurou, pensativo.

    Fernando Sabino

    Eu escolhi essa cronica poque achei muito legal e com um final inesperado.
    É uma cronica narrativa. ASS:ANDRESSA

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